A remoção dos ovários, chamada de ooforectomia, é uma cirurgia que muitas vezes assusta pelo impacto que pode trazer ao corpo e à vida da mulher. Esse procedimento pode ser realizado por motivos diversos, como prevenção de câncer, tratamento de cistos, endometriose avançada ou até em casos emergenciais. A grande dúvida que surge é: o que acontece com o corpo após a retirada dos ovários?

Neste artigo, vamos explicar de forma clara e detalhada os principais efeitos físicos, hormonais e emocionais que a remoção dos ovários pode causar. Além disso, você vai entender como é possível lidar com essas mudanças, quais tratamentos podem ajudar e quais cuidados devem ser tomados após a cirurgia.

O papel dos ovários no corpo feminino

Antes de falar das consequências da remoção, é importante entender a função dos ovários. Eles são dois pequenos órgãos localizados nas laterais do útero e têm duas funções principais:

  • Produzir óvulos: fundamentais para a fertilidade e a reprodução.
  • Produzir hormônios sexuais: principalmente estrogênio e progesterona, que regulam o ciclo menstrual, influenciam o desenvolvimento feminino e afetam várias funções do organismo.

Sem os ovários, o corpo deixa de produzir naturalmente esses hormônios, o que gera uma série de mudanças que podem ser sentidas de imediato ou a longo prazo.

O que acontece quando os ovários são removidos?

A remoção dos ovários pode causar efeitos diferentes dependendo da idade da mulher, da presença do útero e se a cirurgia foi unilateral (um ovário) ou bilateral (ambos os ovários). Os principais efeitos incluem:

Menopausa precoce

Quando os dois ovários são retirados, ocorre a chamada menopausa cirúrgica. Isso significa que os hormônios deixam de ser produzidos de forma repentina, o que pode levar a sintomas como:

  • Ondas de calor
  • Suores noturnos
  • Alterações no sono
  • Secura vaginal
  • Mudanças no humor

Infertilidade

Como os ovários são responsáveis pela liberação de óvulos, sua remoção torna a mulher infértil. Mesmo que o útero permaneça intacto, sem óvulos não é possível engravidar naturalmente.

Alterações hormonais

A queda brusca de estrogênio e progesterona afeta várias funções do organismo. Isso pode impactar a pele, os ossos, o coração e até a saúde mental.

Impactos físicos da remoção dos ovários

A cirurgia não afeta apenas a fertilidade. Ela pode trazer uma série de mudanças no corpo. Entre elas:

Mudanças na pele e nos cabelos

A falta de hormônios pode levar à perda de elasticidade da pele, ressecamento e queda de cabelo em algumas mulheres.

Alterações ósseas

O estrogênio ajuda a manter os ossos fortes. Sem ele, aumenta o risco de osteoporose e fraturas.

Ganho de peso e metabolismo

Muitas mulheres relatam aumento de peso após a cirurgia, já que o metabolismo pode ficar mais lento com a falta de hormônios.

Saúde cardiovascular

Os hormônios femininos também protegem o coração. Com a sua ausência, há maior risco de desenvolver problemas cardíacos, como pressão alta e colesterol elevado.

Impactos emocionais e psicológicos

A remoção dos ovários também pode afetar o lado emocional da mulher. Alguns efeitos comuns incluem:

  • Ansiedade e depressão: causadas tanto pelas mudanças hormonais quanto pelo impacto psicológico da cirurgia.
  • Queda da libido: a diminuição da produção hormonal influencia diretamente no desejo sexual.
  • Sensação de perda: muitas mulheres relatam sentir como se tivessem perdido parte da sua feminilidade, o que pode afetar a autoestima.

Esses fatores tornam essencial o acompanhamento psicológico e médico após o procedimento.

Existe diferença entre retirar um ou dois ovários?

Sim, e essa diferença é muito significativa:

  • Unilateral (um ovário removido): o outro ovário continua funcionando, produzindo óvulos e hormônios. Nesse caso, os efeitos podem ser mais leves e a fertilidade pode se manter.
  • Bilateral (dois ovários removidos): causa menopausa imediata e definitiva, além de infertilidade.

Como lidar com as consequências da remoção dos ovários?

Felizmente, existem tratamentos e cuidados que ajudam a reduzir os impactos da cirurgia. Alguns dos mais comuns são:

Terapia de reposição hormonal (TRH)

É um dos tratamentos mais indicados para reduzir sintomas da menopausa cirúrgica. A TRH ajuda a controlar ondas de calor, proteger os ossos e melhorar a saúde cardiovascular. No entanto, deve ser feita sob orientação médica, já que nem todas as mulheres podem utilizá-la.

Alimentação saudável

Uma dieta rica em cálcio, vitamina D e proteínas ajuda a proteger os ossos e manter a energia. Evitar excesso de açúcar e gordura também auxilia na prevenção de problemas cardíacos.

Prática de exercícios

Atividades físicas fortalecem os ossos, melhoram o humor e ajudam a manter o peso sob controle. Exercícios de resistência e caminhadas são especialmente benéficos.

Acompanhamento psicológico

O apoio de um psicólogo pode ser fundamental para lidar com as mudanças emocionais e na autoestima após a cirurgia.

Revisões médicas regulares

É essencial fazer exames de rotina para acompanhar a saúde do coração, dos ossos e dos hormônios após a remoção dos ovários.

Quando a cirurgia é indicada?

A ooforectomia não é feita de forma aleatória. Alguns dos principais motivos incluem:

  • Cistos ovarianos recorrentes

  • Endometriose grave

  • Câncer de ovário ou risco elevado de desenvolver câncer

  • Torção ovariana (emergência médica)

Nesses casos, a cirurgia pode ser a melhor alternativa para preservar a saúde da mulher, mesmo diante dos efeitos colaterais.

A vida após a remoção dos ovários

Apesar de todas as mudanças, muitas mulheres conseguem levar uma vida plena após a cirurgia. Com acompanhamento médico adequado, boa alimentação e cuidados com o corpo, é possível reduzir bastante os efeitos negativos.

Além disso, algumas relatam que, depois da recuperação, passam a viver com mais tranquilidade, sem dores ou problemas que antes eram causados por doenças nos ovários.

A remoção dos ovários é um procedimento sério que pode causar mudanças físicas, hormonais e emocionais importantes. Entre os principais efeitos estão a menopausa precoce, infertilidade, risco de osteoporose, alterações no coração e impacto psicológico.

No entanto, com tratamentos adequados como a terapia de reposição hormonal, acompanhamento psicológico e hábitos de vida saudáveis, é possível minimizar os sintomas e manter qualidade de vida.

Portanto, mais do que temer a cirurgia, é essencial buscar informações, conversar com especialistas e se preparar para lidar com os impactos da melhor forma possível.

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